Uiratan Barroso[2]

A fórmula de Bernardinho é: TRABALHO + TALENTO = SUCESSO, onde trabalho significa esforço, perseverança, disciplina e obstinação. Trabalho é o mais importante da fórmula, já que é bem mais fácil lapidar até a exaustão o talento médio, mas determinado, do que tentar polir o diamante preguiçoso. Lembra Thomas Edison: “Gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Bernardinho é um dos maiores símbolos de liderança democrática, franca e aberta, mas também é seguro no momento de decidir. De levantador reserva da seleção brasileira de vôlei dos anos 1980, a líder de uma das seleções de vôlei mais temidas do mundo, ele garimpou e lapidou jogadores e assistentes técnicos para conquistar dezenas de ouros olímpicos, campeonatos mundiais, copas dos campeões, ligas mundiais, pan-americanos e copas américas. E como Bernardinho conseguiu essa façanha. É o que vou contar para vocês na primeira parte dessa pequena formação.

Bernardinho diz que no vôlei, como na vida pessoal e profissional, devemos seguir alguns princípios:

  • saber identificar talentos;
  • se comprometer com o desenvolvimento pessoal dos membros do grupo e, principalmente;
  • criar um espírito de equipe, sendo possível visar a vitória sobre os desafios e pressões e manter a equipe no topo por mais tempo.

Por isso, Bernardinho criou a “Roda da Excelência”, que veremos com mais propriedade na segunda parte dessa formação, para inspirar seus atletas na busca e permanência nesses princípios. Ele ensina que a vitória não é mais importante do que a certeza de se ter feito o esforço necessário para conquistá-la. No voleibol, como na vida pessoal e profissional, não há empate e nem zona intermediária entre o perder e o ganhar. Lembra o aprendizado que teve com seus pais, que lhe ensinaram o valor da instrução para o desenvolvimento cultural e profissional, e com seus treinadores, que o doutrinaram a não fazer nada sem paixão e, principalmente, como treinador, conhecer a fundo cada um de seus colaboradores, para “se exigir mais de quem tem mais a dar”.

Aprendeu ainda sobre persistência diante das derrotas, que o deveria levar a treinar muito mais que os mais talentosos, para fazer crescer a si e a equipe, entendendo que o “nós” é sempre mais do que o “eu”. Na faculdade de Economia, na qual se formou, aprendeu também que na vida como no esporte devemos buscar o melhor resultado com os recursos disponíveis, sempre cultivando hábitos saudáveis, para que o nosso corpo e mente estejam sempre bem preparados.

O líder precisa desenvolver constantemente o senso de observação, ensina Bernardinho, ao lembrar que no tempo que jogou pela seleção brasileira de voleibol foi sempre reserva, aproveitando para colher as pérolas da interação entre os jogadores dentro e fora de quadra e a refletir sobre as táticas e emoções que permeavam a todos da equipe. Sempre foi atraído pelo trabalho conjunto e pela busca irrefreável de atingir os 100% de dedicação, com foco na execução do planejamento estratégico. Em 1984, ainda quando reserva na seleção, ao perder o primeiro lugar para os Estados Unidos, se perguntou: por que a prata e não o ouro? Depois de algumas reflexões, concluiu que também precisamos ser gratos com as pratas da nossa vida, aprendendo com os erros, para acertar mais no presente e nos livrar da armadilha do sucesso, que é pensar que somos invencíveis, e acabamos parando de treinar.

Como dizia o treinador de futebol americano Earl Henry, quanto mais você sua nos treinamentos, menos sangra no campo de batalha. E foi isso que Bernardinho passou a colocar em prática quando, aos 30 anos de idade, recebeu o convite para treinar um time feminino italiano, que se encontrava na última colocação do campeonato nacional. Lembra que encarou esse convite como a oportunidade de seus sonhos, que era viver do esporte. Mas sabia que a única forma de aproveitar essa oportunidade era treinar, treinar, treinar. Ele sabia que era mais difícil manter um time na liderança do que tirá-lo lá de baixo, aproveitando a “oportunidade da crise”, onde todos estão dispostos a tudo, abertos a novas situações e prontos para o sacrifício. Começou a treinar ao máximo a equipe, focando no desenvolvimento pessoal de cada jogadora. Passou a ler e estudar livros de liderança e estratégia de forma contumaz, adquirindo mais capacitação visando o trabalho em equipe e o espírito cooperativo. Recordava sempre que talento não bastava, sendo necessário unir conteúdo, entusiasmo e muito… treino, treino, treino.

Bernardinho aprendeu a olhar os desafios como grandes oportunidades e a não prometer o que não podia ou não pretendia cumprir, pois assim evitava frustrações desagregadoras, que dificultavam o aprendizado. Dedicava-se a transformar a todos da equipe, deixando claro que confiava nos seus colaboradores, para motivá-los ao extremo. Ensinou que era importante dar a “segunda chance”, mas cobrava com determinação o condicionamento físico, os fundamentos táticos e, principalmente, o espírito de unidade, sem o qual uma equipe jamais pode chegar à vitória e manter-se no topo.

Para Bernardinho, as medidas do sucesso eram manter o foco nas adversidades, aprender com os fracassos e manter-se sempre insatisfeito com o desempenho, sabendo ao final superar sempre o que não deu certo, apesar de todo o esforço e dedicação, começando tudo novamente, com mais foco, com muito mais treino e com uma dedicação gigantesca: “Superação é ter humildade de aprender com o passado, não se conformar com o presente e desafiar o futuro.” (Hugo Bethlem). Abaixo, a capa do livro de Bernardinho, “Transformando suor em ouro”.

Caro leitor, nessa primeira parte da nossa formação “Como Bernardinho transforma suor em ouro”, trouxemos um pouco dos ensinamentos desse grande líder, que ainda hoje se mantém como treinador da seleção brasileira masculina de voleibol. Aproveitamos para sugerir a leitura do livro “Transformando suor em ouro”, que utilizamos para escrever essa pequena formação, visando te ajudar a dar passos mais concretos na direção de seus objetivos pessoais e primordiais de vida.

Até a próxima formação!!!

[1] Formação retirada do livro “Transformando suor em ouro”, de Bernardinho (2006, págs. 13 a 107).

[2] Uiratan Barroso é bacharel em Ciências Sociais com habilitação em Antropologia Social; especialista em Psicologia Organizacional; especialista em Gestão e Conservação de Espaços Naturais; graduado em Karatê Do Shotokan e servidor público federal.

Um pouquinho da biblioteca de Bernardinho:

  • “Mestre do campo de batalha”, de Nigel Hamilton.
  • “Quando o orgulho ainda contava”, de Vincent Lombardi.
  • “O que é preciso fazer para ser o nº. 01”, de Vincent Lombardi.
  • “As regras de Lombardi”, de Vincent Lombardi.
  • “Ganhando feio”, de Brad Gilbert.
  • “A última temporada: um time em busca de sua alma”, de Phil Jackson.
  • “Sobre liderança”, de John Wooden.
  • “A pirâmide do sucesso”, de John Wooden.
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